Hoje, para quem a vê do sul, a sociedade rebordainhense
parece mais injusta na repartição da riqueza dos seus fregueses, relativamente
aos tempos das vacas gordas, quando o país era governado por políticos
socráticos sob a batuta do “engenheiro” das Novas Oportunidades.
Por mim, que não obrigo ninguém a seguir à risca as minhas
palavras carregadas de ideias luminosas, limito-me a dar bons conselhos a quem almeja
viver numa sociedade mais justa, mais fraterna e mais livre.
Para começar, Rebordainhos devia acabar, não só com o euro,
mas também com todo o dinheiro que, desde a sua antiquíssima e nefanda invenção,
lá na Ásia Menor, no antigo reino da Lídia, tem levado o Homem para caminhos
de perdição, que o conduzem à autodestruição.
Todos os homens bons da União de Freguesias de Rebordainhos
e Pombares, acompanhados pelas suas mulheres e restante população, presente e ausente, repartida pelas quatro
partidas do mundo, deverão reunir em sessão plenária no Grande Auditório da Secção
Norte do Núcleo de Interpretação das Gravuras Rupestres do Vale do Côa (GASNNIGRVC), nos
Anexos da Casa da Floresta, para deliberarem, por unanimidade e aclamação em pé e de braço no ar, a
fixação solene da data do fim da circulação do vil metal dentro dos seus termos
territoriais.
No dia acordado, todos deverão dirigir-se para o Largo do
Prado, onde numa forja renovada, reconstruída a expensas de uma subscrição
pública organizada pelos amigos da terra, serão queimadas as notas de papel, entre
vivas à liberdade, e fundidas as moedas de ouro que, nesse ato simbólico de
purificação pelo fogo, representam as algemas que ainda prendem muitos rebordainhenses e
pombarenses a ídolos dourados, aproveitando-se, contudo, o vil metal
derretido para fazer uma estátua ao Cristiano Ronaldo, com quatro metros de altura, a colocar num alto pedestal de granito à entrada do campo da bola.
A União de freguesias entrará, assim, no novo ano de 2015, cheia de prosperidade e recusando pagar a dívida à troika. Passará a vigorar o antigo regime económico de troca direta de bens e serviços entre os cidadãos dessas aldeias que optarem pela via da economia de mercado justo.
Por exemplo, um uobo, que a galinha põe, poderá ser trocado
diretamente, no meio da rua, por duas
agulhas de coser sacos de batatas.
Isto será o princípio do fim do capitalismo selvagem!
Juntos podemos!
Juntos podemos!

António
ResponderEliminarContinua com o seu sentido de humor muito próprio. Essa de derreter o ouro das moedas... é a sua versão da história do rei vai nu?
Cumprimentos
As moedas de ouro representam o dinheiro que deixará de ter qualquer valor na nova economia de troca livre e direta. Doravante, se eu precisar de um par de calças em Rebordainhos dirijo-me ao alfaiate com o tecido necessário e retribuo-lhe o serviço com um moio de centeio e duas dúzias de ovos. Os valores essenciais em Rebordainhos serão os ovos, o centeio as batatas, as castanhas, as casulas, as feijocas, o bacalhau assado, a liberdade, a fraternidade e a igualdade. Ninguém mais vai precisar de emigrar para França e os que agora lá estão poderão regressar de vez! Neste ponto corro o risco de me tornar repetitivo, mas tenho de dizer:
ResponderEliminar- Tirando o período áureo, mas breve, em que, conjuntamente com os espanhóis, nos abalançamos na obra gigantesca de evangelização dos Novos Mundos, Portugal era e continuou a ser um pobre país, mesmo com os lingotes de ouro que temos guardados no banco.
Estou convencido que nem eu, nem um John Kennedy português, ou até o grande Tsipras da Grécia, conseguiríamos pôr, em menos de duas décadas um homem a caminhar Marte. Porquê?
Para responder à minha interrogação prescindo da consulta de grossos volumes de ciência política e administrativa. O povo é quem mais ordena:
- Não se fazem omoletas sem ovos.
Cumprimentos