Portugal tem, nos dias de hoje, a geração mais bem preparada
de sempre, graças a um investimento enorme que se fez, após abril de 1974, no
ensino pré-primário, o que veio alavancar os graus superiores da formação
literária do nosso povo, cujos frutos já são claramente visíveis na densa rede
de autoestradas que cobre o território nacional, outrora quase todo ocupado por
campos de cultivo abandonados e florestas cheias de mato rasteiro que funcionava
como um rastilho de fogos pavorosos que assolavam o país verão após verão.
Isto de “geração mais bem preparada de sempre” tem muito que
se lhe diga... Também se pode dizer que
a geração nada e criada nos anos sessenta do século XX foi a melhor de sempre;
também antes dessa época saudosa nunca se tinha visto tanta juventude a estudar
nos liceus e universidades, de maneira
que, por este andar, os bebés que agora estão a nascer em Portugal serão os
mais rechonchudos e finos para as letras de que há memória na nossa história
com quase mil anos, pelo que não é preciso ser profeta para prever desde já uma
colónia de portugueses a viver regaladamente em Marte antes que chegue o ano de
2050. A educação tem de ser a nossa paixão, no sentido de que todos os
portugueses devem ser obrigados a aprender em estabelecimentos prisionais chamados,
eufemisticamente, escolas pré-primárias, C+S, EB 1,2,3, e secundárias. Muito
bem, mas aprender o quê, e para quê?! Bom, isso já não interessa tanto, mas há
áreas do conhecimento que são simultaneamente vias rápidas e alavancas com que
o nosso grande desenvolvimento económico-social atual pode acelerar mais do que
um F16 norte-americano na fase de levantar voo.
Saliento duas grandes áreas do saber que são a base de um
desenvolvimento económico, cultural, social e recreativo sustentado. São elas a
teologia, mais ou menos ortodoxa, e a motricidade humana, na sua vertente mais
profunda dos estudos futebolísticos. Depois, temos a astrologia que deverá ser
também ensinada, obrigatoriamente, de uma forma gratuita, a todos os alunos das
escolas EB 1,2,3, para que estes percam todas as angústias com o seu futuro, já
que os outrora incertos tempos vindouros estarão ao alcance de qualquer um nas
palminhas das mãos. As multimilionárias saídas dadas pelas licenciaturas,
mestrados e doutoramentos dos cursos
superiores de cozinha, moda, design, cantor pimba, cabeleireiro, taxista
corrupto, direito, gestão industrial, gestão agrícola, gestão comercial, gestão
bancária e gestão sanitária são sobejamente conhecidas por todos através da
propaganda dos órgãos de comunicação social.
Voltando a Rebordainhos, não me atrevo a apontar com o dedo
indicador o caminho do progresso material, nem, muito menos, o da plena
felicidade espiritual, mas veio-me de repente à ideia que a solução libertadora
desse povo trabalhador e honrado não estará muito longe da celebração de uma
aliança estratégica com a freguesia de Canas de Senhorim que tenha por objetivo
último a concertação de meios e processos jurídicos, burocráticos, democráticos
e revolucionários, como o corte de estradas e de linhas férreas, que conduzam à
restauração dos antigos concelhos. A cultura local, sempre a cultura à frente,
teria muito a ganhar com a criação do Município de Rebordainhos. Atualmente a
posse das matérias-primas já não é o fator determinante do progresso
industrial, comercial ou agrícola de uma nação, como aconteceu nos tempos de
desenfreada exploração colonial levada a cabo pelas potências europeias no
açambarcamento do ouro, do petróleo, do carvão, dos diamantes, do volfrâmio, do
ferro, do alumínio, do cobre, do urânio, do algodão, do milho, do trigo, do
cacau, do chá, da seda, do jaspe, da platina, da prata, do mercúrio, do magnésio
e muitos outros materiais sem os quais a energia não é facilmente utilizada e
os produtos manufaturados não podem existir. Porém, há países muito ricos cujos
subsolos são pobres, como a Suiça ou Israel, por exemplo, só que as suas populações são altamente
qualificadas. Ora gente com habilitações académicas de nível superior,
politécnico e universitário, é o que não falta em Rebordainhos, nem em Canas de
Senhorim. Apelo, sem o mínimo interesse pessoal, a quem de direito, para que
mexa os pauzinhos e, quanto antes, aproveitando esta vaga de fundo da
restauração do concelho de Rebordainhos, vá ao alfobre de cérebros que é o blog
rebordainhense abastecer-se dos quadros que hão de ocupar os lugares cimeiros
da novel autarquia, a começar pelos membros mais ilustres e seus colaboradores
mais próximos, mas sem esquecer um dos mais interventivos comentadores que,
muito provavelmente, ficaria muito contente com uma simples nomeação para vice-presidente
da assembleia municipal.

