segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Rebordainhos a Concelho!

Portugal tem, nos dias de hoje, a geração mais bem preparada de sempre, graças a um investimento enorme que se fez, após abril de 1974, no ensino pré-primário, o que veio alavancar os graus superiores da formação literária do nosso povo, cujos frutos já são claramente visíveis na densa rede de autoestradas que cobre o território nacional, outrora quase todo ocupado por campos de cultivo abandonados e florestas cheias de mato rasteiro que funcionava como um rastilho de fogos pavorosos que assolavam o país verão após verão.  
Isto de “geração mais bem preparada de sempre” tem muito que se lhe diga...  Também se pode dizer que a geração nada e criada nos anos sessenta do século XX foi a melhor de sempre; também antes dessa época saudosa nunca se tinha visto tanta juventude a estudar nos liceus e  universidades, de maneira que, por este andar, os bebés que agora estão a nascer em Portugal serão os mais rechonchudos e finos para as letras de que há memória na nossa história com quase mil anos, pelo que não é preciso ser profeta para prever desde já uma colónia de portugueses a viver regaladamente em Marte antes que chegue o ano de 2050. A educação tem de ser a nossa paixão, no sentido de que todos os portugueses devem ser obrigados a aprender em estabelecimentos prisionais chamados, eufemisticamente, escolas pré-primárias, C+S, EB 1,2,3, e secundárias. Muito bem, mas aprender o quê, e para quê?! Bom, isso já não interessa tanto, mas há áreas do conhecimento que são simultaneamente vias rápidas e alavancas com que o nosso grande desenvolvimento económico-social atual pode acelerar mais do que um F16 norte-americano na fase de levantar voo.
Saliento duas grandes áreas do saber que são a base de um desenvolvimento económico, cultural, social e recreativo sustentado. São elas a teologia, mais ou menos ortodoxa, e a motricidade humana, na sua vertente mais profunda dos estudos futebolísticos. Depois, temos a astrologia que deverá ser também ensinada, obrigatoriamente, de uma forma gratuita, a todos os alunos das escolas EB 1,2,3, para que estes percam todas as angústias com o seu futuro, já que os outrora incertos tempos vindouros estarão ao alcance de qualquer um nas palminhas das mãos. As multimilionárias saídas dadas pelas licenciaturas, mestrados e doutoramentos  dos cursos superiores de cozinha, moda, design, cantor pimba, cabeleireiro, taxista corrupto, direito, gestão industrial, gestão agrícola, gestão comercial, gestão bancária e gestão sanitária são sobejamente conhecidas por todos através da propaganda dos órgãos de comunicação social.
Voltando a Rebordainhos, não me atrevo a apontar com o dedo indicador o caminho do progresso material, nem, muito menos, o da plena felicidade espiritual, mas veio-me de repente à ideia que a solução libertadora desse povo trabalhador e honrado não estará muito longe da celebração de uma aliança estratégica com a freguesia de Canas de Senhorim que tenha por objetivo último a concertação de meios e processos jurídicos, burocráticos, democráticos e revolucionários, como o corte de estradas e de linhas férreas, que conduzam à restauração dos antigos concelhos. A cultura local, sempre a cultura à frente, teria muito a ganhar com a criação do Município de Rebordainhos. Atualmente a posse das matérias-primas já não é o fator determinante do progresso industrial, comercial ou agrícola de uma nação, como aconteceu nos tempos de desenfreada exploração colonial levada a cabo pelas potências europeias no açambarcamento do ouro, do petróleo, do carvão, dos diamantes, do volfrâmio, do ferro, do alumínio, do cobre, do urânio, do algodão, do milho, do trigo, do cacau, do chá, da seda, do jaspe, da platina, da prata, do mercúrio, do magnésio e muitos outros materiais sem os quais a energia não é facilmente utilizada e os produtos manufaturados não podem existir. Porém, há países muito ricos cujos subsolos são pobres, como a Suiça ou Israel, por exemplo,  só que as suas populações são altamente qualificadas. Ora gente com habilitações académicas de nível superior, politécnico e universitário, é o que não falta em Rebordainhos, nem em Canas de Senhorim. Apelo, sem o mínimo interesse pessoal, a quem de direito, para que mexa os pauzinhos e, quanto antes, aproveitando esta vaga de fundo da restauração do concelho de Rebordainhos, vá ao alfobre de cérebros que é o blog rebordainhense abastecer-se dos quadros que hão de ocupar os lugares cimeiros da novel autarquia, a começar pelos membros mais ilustres e seus colaboradores mais próximos, mas sem esquecer um dos mais interventivos comentadores que, muito provavelmente, ficaria muito contente com uma simples nomeação para vice-presidente da assembleia municipal.



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