domingo, 24 de abril de 2016

25 de Abril, Sempre!

Nas nossas latitudes do hemisfério norte, as casas têm quase sempre mais do que uma janela. Vejamos, então, o exemplo de um doutor à portuguesa, quer dizer, um mero licenciado do antes do 25 de Abril, ou um Mestre atual, segundo a Declaração de Bolonha, que se põe à janela a apanhar luz e ar. O trecho de paisagem mais ou menos humanizada que os seus olhos abertos contemplarão depende não só da orientação espacial da janela escolhida e da hora do dia, mas  também, e de um modo crítico, da qualidade da massa cinzenta contida na sua caixa craniana.
O 25 de Abril foi um ato heroico de libertação da pátria da ditadura feroz do Professor Doutor António Salazar, Presidente do Conselho de Ministros, que, na estruturação do seu pensamento político,  costumava beber muito na fonte de ensinamentos de economia doméstica de sua mãe e na nascente de água viva da doutrina da Igreja Católica, instituição a quem devia, muito agradecido, a sua formação de seminarista.
O estadista deposto também bebia vinho, não um refresco verde qualquer, mas vinho a sério, maduro, com muita graduação e, de preferência, do Dão.
Muitas vezes esquece-se de dizer que  o ditador sinistro, que até parece que não queria mais nada senão destruir o seu querido Portugal,  no dia em que foi derrubado por valentes golpistas armados até aos dentes, já estava morto e enterrado há mais de três anos!
Numa perspetiva, sem romantismos nem lirismos, mas tão verdadeira como outras, proponho-me dar duas ou três pinceladas sobre o que explica o golpe militar do 25 de Abril de 1974.
Alguns oficiais das Forças Armadas Portuguesas, que vinham sendo sujeitos a pressões excruciantes por parte da Imprensa Internacional e dos governos de países aliados (com amigos como esses, Portugal não precisava de inimigos!), nomeadamente, dos Estados Unidos da América e da Inglaterra, decidiram, em Abril de 1974, derrubar o governo salazarista como forma de declarar ao mundo a sua rendição incondicional perante os terroristas que vinham espalhando o medo e a morte nas nossas províncias ultramarinas. Assim, a causa primeira do nascimento e posterior expansão ultramarina de Portugal, que foi tão só  a Evangelização, a bem ou a mal, do país e de todo o mundo conhecido e a descobrir, e que era a nossa razão de ser, perdeu completamente o sentido ao raiar do dia 25 de Abril de 74. Era chegada a hora de passarmos o facho luminoso da civilização, que havíamos orgulhosamente empunhado durante praticamente um milénio,  para outros idealistas mais novos e pujantes de fé, como os cristãos evangélicos americanos e brasileiros, que ainda não estão cansados de operar milagres, como fazer andar paralíticos, dar visão aos cegos, tirar o diabo do corpo e enriquecer escandalosamente! Quem tem o dinheiro, manda!
Pode ser que tenham pena de nós, que, como não temos dinheiro para nada, somos governados por uma troica, e não nos expulsem deste jardim à beira-mar plantado. Nascerá assim um novo país, com os nativos a aderirem em massa à nova causa, batizado com o nome de New Evangelical Land.
No dia 25 de Abril, que continuará a ser feriado, passará a comemorar-se o dia nacional, com salvas de canhão.


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