Portugal, enquanto país independente, chegou ao fim da linha! Basta que a pobre Venezuela, o tal país comunista, se farte dos comerciantes exploradores portugueses, e os obrigue a regressar à sua terra natal, cheia de liberdade, mas onde infelizmente já pouco há para roubar, para que isto vá ao fundo de uma vez por todas.
Quando as aldeias tinham gente, a limpeza das matas era feita pelos mais pobrezinhos que, face à necessidade vital de se aquecerem um pouco nos dias mais frios de inverno e cozerem duas ou três batatas, com que procuravam enganar a fome, iam arrancar giestas e apanhar gravetos do chão em terra alheia, arriscando-se a serem esfolados vivos se os proprietários os apanhassem em flagrante delito. Mesmo assim, com as matas limpas, os campos cultivados e o elevado consumo de lenha e madeira, também havia fogos florestais, mas com áreas ardidas anuais muito inferiores às atuais. Depois, alguns camponeses deram o salto lá para fora, viram que a limpar escritórios, que raramente ardiam, ganhavam mais do que muitos doutores em Portugal, foram chamando familiares e amigos que, por sua vez, passaram palavra, desencadeando o êxodo rural que deixou aldeias despovoadas e campos abandonados. Presentemente, gastam-se milhões com sirespes e bombeiros, mas, ano após ano, repetem-se incêndios florestais pavorosos, o que me leva a concluir que no nosso Estado em falência o governo praticamente demitiu-se de governar, pouco mais garantindo do que os ordenados, ao fim do mês, de mais de cento e quarenta mil professores e educadores de infância e de largas dezenas de milhar de oficiais das forças armadas, partindo estes últimos, todos os anos, para terras de África e da Ásia, onde, a milhares de quilómetros de distância do território pátrio, encontram as condições ideais para defender os portugueses de todos os perigos que os ameaçam.
A religião, inventada há mais de dois mil anos por judeus, que serviu de base à fundação e organização política e administrativa do Estado Português, criou um cimento social e espiritual que uniu a nação na grande gesta dos descobrimentos que nos proporcionou dois ou três períodos de riqueza monetária, com a pimenta da Índia e o ouro do Brasil, mas que não passaram de fogo viste linguiça no âmbito das consequências que tiveram no nosso desenvolvimento económico.
Atualmente, com a doutora Catarina Martins ao leme, coordenada com o doutor António Costa e o doutor Jerónimo de Sousa, os, outrora cristianíssimos, portugueses sentem-se muito orgulhosos de fazerem parte da linha da frente dos inventores do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Sem religião, sem moral, sem ideologia, o Estado Português, senhor do seu destino, vai, inexoravelmente, desabar. Passaremos, na melhor das hipóteses, a ser cidadãos dos Estados Unidos da Europa que trarão consigo os meios materiais e os recursos humanos indispensáveis à prevenção e combate dos fogos florestais que venham a lavrar neste país à beira-mar plantado.





