sexta-feira, 22 de maio de 2015

Modelo Chinês

Na minha qualidade de candidato a Presidente da República Portuguesa, publicamente assumido através de mensagens de apresentação da minha pessoa, que tenho vindo a enviar para alguns dos blogues mais visitados do ciberespaço lusófono, cumpre-me dar continuidade ao projeto de salvação da minha pátria exangue, espargindo, sobre as mentes abertas dos meus fiéis seguidores, raios de luz, transfigurados em palavras e ideias, que lhes hão de iluminar o caminho que os conduzirá à felicidade plena na Terra.

Dentro destes  pressupostos, entendo que sou maior do que o Sol, pois a luz que essa estrela de classe média nos dá provém de reações termonucleares, não sendo mais do que um fenómeno físico de propagação de oscilações de campos eletromagnéticos, enquanto o ideal luminoso que eu quero espalhar por toda a parte é metafísico, abrangendo por isso os vastos mundos sobrenaturais.
Na república portuguesa que idealizo, a exploração de um nobre e pobre operário por um patrão rico e boçal só poderá ser encontrada em velhos calhamaços de Materialismo Histórico, cobertos de pó e teias de aranha, porque uma das primeiras medidas que o governo tomará, logo após ficar submetido à minha magistratura de influência de Presidente da República recém embuçado, será a abolição, por despacho, da expressão "classe operária" e demais termos que façam lembrar o sofrimento do português comum. No exato momento em que a existência legal dos operários, enquanto tais, cessar, cairá imediatamente, por via da lógica, a exploração a que esses filhos do proletariado estavam sujeitos. Assim, na prática, a lei da greve passará a ser letra morta, abrindo-se, no entanto, uma exceção de caráter humanitário para os miseráveis pilotos de avião da TAP que continuarão a ter direito de faltar ao trabalho sempre que sintam a ameaça, real ou imaginária, de o seu salário médio - que atualmente é  de 8600 euros por mês! - não subir mais de 30 % por ano.
Se as massas alienadas pelo futebol votarem em mim, prometo-lhes solenemente que, antes de terminar o lustro que começa em 2016, Portugal será um Mandarinato, onde todos os cidadãos republicanos terão  um lugar ao Sol. Podem confiar em mim, porque foi com os pés bem assentes na terra que delineei, arrojadamente, o meu programa de candidatura que, definitivamente, não é feito de castelos no ar.
Foi na China, onde durante mais de trinta anos estudei a língua, a caligrafia, a história, a filosofia, a religião e a ciência dessa antiquíssima civilização, que me surgiu a ideia - num dia em que me encontrava na Praça da Paz Celestial, em Pequim, completamente envolvido pelo nevoeiro matinal tão poluído de fumo que mal dava para respirar, - de transplantar para Portugal o modelo chinês de desenvolvimento, na versão do que dele pude entender estudando documentos oficiais escritos em mandarim e escutando atentamente as explicações de amigos orientais, também em mandarim, sobre o milagre económico chinês.
Como acho que os chineses não são mais do que nós, continuo com a firme convicção de que se eles podem crescer nós também podemos, assim trabalhemos empenhadamente para que a organização política e administrativa de Portugal seja muito semelhante à da China, senão mesmo coincidente, como já aconteceu no passado, durante os cinco séculos de exemplar convivência pacífica entre os dois povos na Cidade do Santo Nome de Deus de Macau.
É verdade que eles produzem e consomem mais arroz do que nós, mas na cortiça ainda não nos levam a palma.
Então, em Portugal, comigo ao leme da barca, abandonar-se-á a fórmula Um Homem-Um Voto, que já deu provas mais do que suficientes de que não funciona, substituindo-a pela fórmula Um Homem – Um Mandarim, significando que todos mandam e ninguém trabalha, ou por uma fórmula também de cunho oriental, mas mais ajustada ao caráter mediterrânico do povo português: Um Homem-Um Paxá.

Diz não ao Empobrecimento!


Vota António Pires!

2 comentários:

  1. Um homen -Um Paxá e de quem essa frase é sua?

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  2. Caro Comentador Anónimo,

    Poderia fazer o favor de repetir a sua pergunta, em português?

    Muito obrigado,

    António Pires

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