segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O Cherne

Ao mesmo tempo que as aldeias rurais quase só existem nas memórias dos seus derradeiros habitantes, o mundo vai-se transformando numa única e imensa aldeia, onde o meu vizinho tanto é o chinês que come arroz com dois pauzinhos, como o esquimó que se protege do frio no interior da sua habitação de gelo, ou o senhor Ferrão, do segundo esquerdo, que não sabe que as duas da manhã não são horas para ouvir rádio no volume máximo!

O sofrimento, e a morte !..., dos refugiados que, nos últimos dias, têm estado debaixo dos focos mediáticos, toca-nos a todos – não podemos ignorar !, tal como nos alertava Sophia de Mello Andresen.
As reflexões seguintes procuram esclarecer muita gente, enganada  e inocente, que não sabe que por trás das declarações tonitruantes dos representantes políticos da alta finança e da indústria das armas de destruição maciça escondem-se as mentiras e maldades abjetas daqueles que provocaram esta tragédia humana dos refugiados. A minha esperança está na bondade das ideias racionais que defendo e quero partilhar com milhões de pessoas, através da internet,  na certeza de que o amor, sendo mais forte do que o dinheiro e o armamento pesado de uma minoria insignificante e má, impedirá para sempre a loucura da guerra!
Temos de voltar aos Açores, ao ano de 2003, quando um Cherne recebeu na Base das Lajes três estadistas: Bucho, Bleizer e Asno. Ficou então decidido, pelo americano, que o Iraque devia desaparecer da face da Terra porque, por um lado, os iraquianos eram maus como as cobras e, por outro lado, o seu petróleo era melhor do que o milho!
Depois é o que todos já sabem: não ligaram aos apelos de paz do Sumo Pontífice, fartaram-se de matar a tiro e à bomba pessoas que apenas tinham cometido o “crime” de serem iraquianos, destruíram o estado mau e no seu lugar colocaram os fantoches traidores que governariam o novo país. Como seria de esperar, a anarquia instalou-se imediatamente e hoje os iraquianos humilhados e desesperados matam-se uns aos outros. As tais armas químicas de destruição maciça, essas, nunca foram encontradas –  afinal não passavam de um mero pretexto!
O peixe graúdo e os seus três amigos, quais jogadores alcoolizados de taberna, continuaram a divertir-se, ao longo dos anos seguintes, assistindo ao efeito dominó, desencadeado com a destruição do Iraque, da queda em catadupa da Síria, da Líbia, do Egito e de outros países, todos por mera coincidência mal governados por ditadores cujo atraso mental ia ao ponto de apoiarem moralmente o povo oprimido da Palestina!
Os primeiros responsáveis pela hecatombe vêm agora, com lágrimas de crocodilo, pedir a países miseráveis como Portugal, que eles classificam abaixo de lixo, que contribuam com boas casas, alimentação e muito dinheiro, obviamente, no acolhimento condigno dos refugiados vítimas das suas armas e do seu dinheiro sujo!
Como eles é que mandam, Portugal pode vir a ser obrigado a receber dois ou três milhões de migrantes forçados, a instalar numa faixa litoral com 12 km, entre Caminha e a Figueira da Foz. Então, sim, a nossa sociedade será realmente mais rica, pelo menos no que diz respeito à multiculturalidade, acabando de vez com a supremacia do cristianismo, à multietnicidade e à multi-imbecilidade, também!...

Num mundo decente, todos os refugiados teriam direito a usufruir de corredores aéreos que os fariam chegar às terras onde vivem à grande aqueles que os obrigaram a abandonar os seus lares, como o estado de Nova Iorque, onde o dinheiro não falta, ou o estado do Alasca, onde o que não falta é espaço!

3 comentários:

  1. António Pires

    Num mundo decente, qualquer ser humano decente olharia para os seus irmãos em perigo e estender-lhes-ia a mão. Sem nenhum mas.
    Quanto me desiludiu nos últimos artigos que escreveu!

    Cumprimentos

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  2. Fátima
    ,
    Eu acho que se deve começar por estender a mão àqueles que estão mais próximos de nós. Agora, francamente, Portugal, enquanto Estado falido, não tem condições económicas para receber todos os que queiram vir para cá. Basta pensar um bocadinho nos milhões de portugueses que tiveram, e continuam a ter, de abandonar o seu país porque lhes faltava o pão para a boca!
    Estar muito desiludida comigo só prova que é uma pessoa que gosta de pensar! Eu gosto das pessoas que gostam de pensar!
    Até breve!

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  3. António

    Não sei, não quero, nem posso esquecer a minha educação cristã - que me ensina a amar o próximo. E a propósito dos refugiados, nada mais apropriado do que a parábola do "Bom Samaritano". Lembra-se dela? Quem é o "próximo" de alguém? Aquele que usa de misericórdia. "Vai e faz tu o mesmo", aconselhou Jesus ao doutor da Lei que o interrogava. É esse conselho /ordem que ninguém pode deixar de escutar.

    Cumprimentos

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