Ao mesmo tempo que as aldeias rurais quase só existem nas
memórias dos seus derradeiros habitantes, o mundo vai-se transformando numa única
e imensa aldeia, onde o meu vizinho tanto é o chinês que come arroz com dois
pauzinhos, como o esquimó que se protege do frio no interior da sua habitação
de gelo, ou o senhor Ferrão, do segundo esquerdo, que não sabe que as duas da
manhã não são horas para ouvir rádio no volume máximo!
O sofrimento, e a morte !..., dos refugiados que, nos
últimos dias, têm estado debaixo dos focos mediáticos, toca-nos a todos – não
podemos ignorar !, tal como nos alertava Sophia de Mello Andresen.
As reflexões seguintes procuram esclarecer muita gente,
enganada e inocente, que não sabe que
por trás das declarações tonitruantes dos representantes políticos da alta
finança e da indústria das armas de destruição maciça escondem-se as mentiras e
maldades abjetas daqueles que provocaram esta tragédia humana dos refugiados. A
minha esperança está na bondade das ideias racionais que defendo e quero
partilhar com milhões de pessoas, através da internet, na certeza de que o amor, sendo mais forte do
que o dinheiro e o armamento pesado de uma minoria insignificante e má,
impedirá para sempre a loucura da guerra!
Temos de voltar aos Açores, ao ano de 2003, quando um Cherne
recebeu na Base das Lajes três estadistas: Bucho, Bleizer e Asno. Ficou então decidido,
pelo americano, que o Iraque devia desaparecer da face da Terra porque, por um
lado, os iraquianos eram maus como as cobras e, por outro lado, o seu petróleo
era melhor do que o milho!
Depois é o que todos já sabem: não ligaram aos apelos de paz
do Sumo Pontífice, fartaram-se de matar a tiro e à bomba pessoas que apenas
tinham cometido o “crime” de serem iraquianos, destruíram o estado mau e no seu
lugar colocaram os fantoches traidores que governariam o novo país. Como seria
de esperar, a anarquia instalou-se imediatamente e hoje os iraquianos
humilhados e desesperados matam-se uns aos outros. As tais armas químicas de
destruição maciça, essas, nunca foram encontradas – afinal não passavam de um mero pretexto!
O peixe graúdo e os seus três amigos, quais jogadores
alcoolizados de taberna, continuaram a divertir-se, ao longo dos anos
seguintes, assistindo ao efeito dominó, desencadeado com a destruição do Iraque,
da queda em catadupa da Síria, da Líbia, do Egito e de outros países, todos por
mera coincidência mal governados por ditadores cujo atraso mental ia ao ponto
de apoiarem moralmente o povo oprimido da Palestina!
Os primeiros responsáveis pela hecatombe vêm agora, com
lágrimas de crocodilo, pedir a países miseráveis como Portugal, que eles
classificam abaixo de lixo, que contribuam com boas casas, alimentação e muito
dinheiro, obviamente, no acolhimento condigno dos refugiados vítimas das suas
armas e do seu dinheiro sujo!
Como eles é que mandam, Portugal pode vir a ser obrigado a
receber dois ou três milhões de migrantes forçados, a instalar numa faixa
litoral com 12 km, entre Caminha e a Figueira da Foz. Então, sim, a nossa
sociedade será realmente mais rica, pelo menos no que diz respeito à
multiculturalidade, acabando de vez com a supremacia do cristianismo, à
multietnicidade e à multi-imbecilidade, também!...
Num mundo decente, todos os refugiados teriam direito a
usufruir de corredores aéreos que os fariam chegar às terras onde vivem à
grande aqueles que os obrigaram a abandonar os seus lares, como o estado de
Nova Iorque, onde o dinheiro não falta, ou o estado do Alasca, onde o que não
falta é espaço!

António Pires
ResponderEliminarNum mundo decente, qualquer ser humano decente olharia para os seus irmãos em perigo e estender-lhes-ia a mão. Sem nenhum mas.
Quanto me desiludiu nos últimos artigos que escreveu!
Cumprimentos
Fátima
ResponderEliminar,
Eu acho que se deve começar por estender a mão àqueles que estão mais próximos de nós. Agora, francamente, Portugal, enquanto Estado falido, não tem condições económicas para receber todos os que queiram vir para cá. Basta pensar um bocadinho nos milhões de portugueses que tiveram, e continuam a ter, de abandonar o seu país porque lhes faltava o pão para a boca!
Estar muito desiludida comigo só prova que é uma pessoa que gosta de pensar! Eu gosto das pessoas que gostam de pensar!
Até breve!
António
ResponderEliminarNão sei, não quero, nem posso esquecer a minha educação cristã - que me ensina a amar o próximo. E a propósito dos refugiados, nada mais apropriado do que a parábola do "Bom Samaritano". Lembra-se dela? Quem é o "próximo" de alguém? Aquele que usa de misericórdia. "Vai e faz tu o mesmo", aconselhou Jesus ao doutor da Lei que o interrogava. É esse conselho /ordem que ninguém pode deixar de escutar.
Cumprimentos